terça-feira, 24 de julho de 2007

Ontem, sexta-feira, andando pelo Bourbon Country, constatei a incrível marca de 5 meninas de cabelos Pink (sendo um, bem desbotado), umas 50 pessoas extremamente montadas num underground estranho e ruim (com aspecto de nenhuma personalidade) e mais uns 30 moleques perambulando pelo shopping. A impressão imediata é que era um bando de gente feia que não sabia mais o que fazer pra chamar a atenção. E ser underground num shopping não faz o menor sentido! Isso parece ser "do mal", mas com o consentimento da mãe.
Claro que já fui assim... mas há muito Porto Alegre perdeu seus pontos do underground, que se condensam cada vez mais em menos bares, ou escoam para as periferias.
Hoje Porto Alegre não tem como dar uma sustentabilidade ao bom e velho underground. Os pontos que até pouco tempo atrás mantinham o ideal, ou morreram (como o caso do Bar do João, que levou toda a Osvaldo ao fundo), ou mataram (como, posteriormente, o Arco do Triunfo, onde até punks começaram a ir armados e em suas motos super caras, e negros viraram skinheads por conta disso). Os grupos perderam sua identidade e suas características básicas, que os tornavam o que um dia pôde ser alguma coisa.
Antes, ainda, do Bar do João, pode-se dizer que a queda veio com o final do Fumódromo. Lá, diversas tribos se uniam por volta de alguns quilogramas de maconha, e tudo (ou quase) fazia sentido; quando o Fumódromo foi demolido, pode-se dizer que tinha punk chorando, ou hippie batendo. Ali foi o início do fim da cena de Porto Alegre, e ali também começou a dar tiroteio pela Osvaldo... um efeito dominó que se alastrou até destruir o lugar mais deturpado de Porto Alegre.
Hoje, algumas pessoas são capazes de dizer que temos uma cena forte. É mentira! O Rock das bandinhas que surgem é praticamente igual as outras, ou também copiando alguma banda inglês da moda. O sonho desses novos undergrounds é fazer dinheiro, ou ser cult (falando um gauchês com todas as letras e hífens que podem). Os videomakers sumiram, e agora existem cineastas drogados, metidos a muita coisa. Alguns ainda remanescentes da cena de outrora, mas que o tempo não fez evoluir, e sim, degradou.
As festinhas são sempre as mesmas, nos mesmos lugares, onde o velho público choca-se com as Camilinhas (definição de patricinha que passou um tempo fora do país e voltou curtindo Rave e SambaRock), acabando com a ascensão de um futuro grupo.
Grupo fechado, diga-se. Quando havia identificação de alguma forma entre pessoas, elas sentavam juntas e ficavam amigas. Hoje, tudo é mais cabreiro. Até pedir informação é motivo para se olhar estranho para as pessoas.
Não tem jeito... num momento em que nerds ouvem metal melódico, patricinhas vão a Raves, o GLS foi substituído por GLBT (excluindo a possibilidade de alguém de fora do "grupo" apoiar a causa), traficantes pequenos asslatam e flanelinhas pedem preço fixo, não é a toa que o underground se fixou e se expande num shopping center.

E você, tem algo a ver com isso???

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