domingo, 24 de junho de 2007

Andy/Edie

Domingo, último dia da peça Andy/Edie no Teatro de Arena. Claro, eu fui (ontem) e não podia deixar de fazer a minha crítica. Claro, sou um publicitário, a minha opinião sobre teatro não é tão fundamentada quanto alguém que já estudou sobre isso. A peça, simplificando bem vulgarmente, é sobre Warhol e uma filhinha-de-papai, Edie. Também dá bastante importancia pra relação deles com o Bob Dylan, que detestou o Andy e inclusive mostrou isso na música. Não gosto de dar muitos detalhes sobre as peças e filmes por que as pessoas podem ficar bravas com spoiler. Tudo bem que a história é conhecida, verídica, mas não é todo mundo que sabe. Bem, vamos lá. Essa crítica vai ser rápida, rasteira e simples.O início já começa muito bem. Chama muito a atenção e já coloca uma pulga atrás da nossa orelha. O problema é justamente esse por que a peça fica no mesmo ritmo do início até o final. "Que ritmo?"; o ritmo frenético e bombardeador de informações que chega a nos deixar tontos e sem saber para que lugar do palco olhar. Por incrível que pareça, não minto. Os atores devem sofrer nessa peça com esse ritmo todo. Estão de very very very parabéns.Por falar nos atores, achei todos eles ótimos. Todos mesmo, não estou exagerando. São seis. Todos os personagens são marcantes.Uma amiga minha que entende de teatro criticou bastante a peça. Mas eu não entendo muito de teatro e essa é a minha opinião final: a peça é ótima, recomendo de verdade! O único problema é o ritmo, que não dá muito tempo pro espectador digerir as informações.Ah sim, claro, quase esqueci de um detalhe interessante que eu não sei se gostei ou não: o roteiro é adaptado para os dias atuais em alguns aspectos. Exemplos: gírias atuais e trilha sonora atual. É estranho ver isso num cenário relativamente antigo, mas talvez ficasse pior colocar gírias antigas e/ou botar músicas pop da época... Era capaz da platéia não conhecer as músicas, daí não ia ter o mesmo efeito.
Hoje, infelizmente, é o último dia da peça. Se tu não foi, deve se arrepender mesmo.
Ouvi falar que essa peça acontece todos os anos, então quem sabe ano que vem eu reposto isso aqui pra vocês se lembrarem de ir nessa fabulosa apresentação.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

O que falta em Porto Alegre são produtores executivos de qualidade. Gente que realmente saiba vender o que está produzindo.
Não é e nunca foi à toa que Porto Alegre vinga como núcleo cultural; uma cidade semi-provinciana, rica em costumes antigos e criadora de núcleos artísticos só pode gerar um tipo de vanguarda pop em todo tipo de arte.
Só em Porto Alegre tem gente fazendo filme sem um centavo no bolso, e gerando filmes de qualidade interessante. Os ritmos mais divertidos e diversos têm nascido por aqui, e quando atingem os tais "grandes eixos", perdem sua personalidade _ e, por que não, sua dignidade?. O artesanato, aqui, não é só uma Decoupage num MDF, mas uma exposição com muita identidade no Margs. Peças surgem a cada semana, com textos bem elaborados e igalmente sem fundos financeiros. Mas não tem jeito: as pessoas daqui querem é se mostrar ao mundo como criadores. E realmente são; criadores de qualidade, inovadores na arte de burlar as barreiras na hora de produzir a sua arte.
Mesmo assim, o que falta é um bom produtor executivo. É muita idéia para se deixar nas mãos de uns poucos para divulgar, quando isso.
O triste fim do desenvolvimento das idéias, com ou sem verbas, acaba sendo o mesmo: a prateleira e o esquecimento.
A veiculação do produto fica limitada, o público, quando fica sabendo de alguma coisa, raramente comparece. Ainda existe muito do preconceito "é arte brasileira, não é arte", mas o problema é realmente não haver essa divulgação. Não haver apoiadores, não haver estímulos sociais. E, na verdade, nesse caso, um é conseqüência do outro: não tem apoio porque sabe-se que não terá divulgação, e não há a divulgação por falta de apoiadores.
Claro que no caso de música a coisa muda de figura. Mas são poucos os lugares, de qualquer forma, que abrem lugar para os inovadores e para os desconhecidos. Na verdade, talvez seja pela restrição de luagres para uma vida noturna pela cidade que isso ainda se amplie... e ninguém está disposto a se arriscar e abrir espaço para novas idéias.

Falta arriscar. Falta dar a cara a tapa. Falta estimular. Falta apoiar.
Falta um produtor executivo.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Gravação do DVD do Wander.

No dia 6 de junho (semana passada) houve a gravação de um DVD do Wander Wildner no Bar Ocidente. Jimi Joe e um guitarrista que eu não conhecia gravaram junto, além de um tecladista/sanfoneiro e uma mulher que eu nunca tinha visto (mas não gostei muito).
Em primeiro lugar, não gostei do fato de todas as mesas do Ocidente estarem reservadas para os VIP. Fiquei num lugar não muito bom - isso eu que estava em um dos melhores lugares para quem não era VIP. Não que isso seja exatamente falta de respeito, mas achei muito ruim da parte deles segurar as mesas. Algumas mesas ficaram vazias durante as primeiras músicas por que os malditos VIP não chegavam.
Uma coisa que me chamou atenção (depois desse fato das mesas VIP) foi que tinham várias câmeras gravando o show. Acho que vai ficar bem bom, nesse ponto. Câmeras estavam espalhadas por todos os lados, dois cinegrafistas móveis estavam lá - inclusive tinha uma câmera bem pequena "escondida" atrás do Wander, colada na janela do Ocidente.
Não sei como vai ficar a qualidade do som. Não digo nada além de que a platéia estava muito barulhenta.
Quanto às músicas: tocaram direitinho, a emoção estava boa, mas não tocaram muitos clássicos. O show foi baseado nas músicas em espanhol do Wander. Acho elas ótimas, por isso não reclamo. Reclamo, na verdade, das músicas que aquela mulher (que eu falei antes que eu não conheço) cantou. Achei elas ruins. Quem estava comigo gostou, então não leve essa minha opinião muito a sério (até por que gosto é muito particular de cada um).
Minha opinião final é a seguinte: não compre o DVD antes de vê-lo. Ele deve demorar ainda muito tempo para ser lançado, então podem esperar sentados, leitores.

PS.: Se algum de vocês foi ao show, protestos podem ser registrados abaixo.
PS.2: Caso não tenham percebido, a foto lá em cima é do Wander durante a gravação.

domingo, 10 de junho de 2007

O primeiro grito.

Enfim, o grande Megafone foi criado. Temos o objetivo de criticar tudo o que acontece no mundo, mas principalmente em Porto Alegre : música, cinema, teatro, artes visuais, publicidade e propaganda, jornalismo e qualquer outro assunto onde um colaborador consiga falar bem. Estamos aqui para elogiar as qualidades das produções daqui e do mundo, mas estamos dispostos a apedrejar os defeitos de tudo que encontrarmos.
Agora você se pergunta: por quê um blog disso? É sabido que nessa cidade as pessoas não criticam as outras por que têm medo de serem criticados de volta. Claro, é um motivo respeitável. Aqui todo mundo se conhece e precisa de emprego, ficar falando mal dos outros não é nada bom para a carreira de praticamente qualquer um.
Você percebeu? As coisas daqui não são criticadas verdadeiramente. Todos aplaudem tudo o que é produzido, por pior que seja. Estamos aqui para falar a verdade; a nossa verdade, que você pode concordar ou não.

Quer ser um colaborador? Envie para o nosso e-mail um artigo qualquer (preferimos críticas, claro). Se gostarmos, seu artigo será publicado anonimamente (ou não, caso queira dar a cara a tapa).